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Antonio Candido, crítico literário e sociólogo, morre e deixa legado de mais de 60 anos de carreira

O crítico literário e sociólogo Antonio Candido, dono de uma das obras mais fundamentais da intelectualidade brasileira, morreu aos 98 anos na madrugada desta sexta-feira (12).

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo), que recebeu a notícia da filha do escritor. O velório será realizado hoje das 9h às 17h, no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, em São Paulo.

Candido se definia como um sobrevivente. “Sou provavelmente o último amigo vivo de Oswald de Andrade, um escritor dono de uma personalidade vulcânica”, comentou Candido, em rara entrevista, em Paraty, onde, em 2011, fez a conferência de abertura da 9.ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Como o homenageado era justamente o autor de Marco Zero, Candido decidiu quebrar seu silêncio – não gostava de ser entrevistado tampouco de fazer aparições públicas.

Quem foi Antonio Candido?

Iniciou a carreira como crítico literário nos anos 40, tendo escrito para jornais como “Folha da Manhã”, “Diário de S. Paulo” e “O Estado de S. Paulo”. Tornou-se livre-docente de literatura brasileira em 1945 e doutor em ciências em 1954. Em 1974, passou a ser professor titular de teoria literária e literatura comparada da USP, cargo em que se aposentou em 1978.

 

Obras mais importantes

De suas obras de crítica literária, a mais importante é “Formação da Literatura Brasileira”, de 1959, sobre os momentos decisivos da formação do sistema literário brasileiro. Também foram fundamentais os seus estudos sociológicos. Analisou o “caipira paulista e sua transformação” em “Os Parceiros do Rio Bonito” (1964).

Candido e a sua relação com a política

Ao lado de outros intelectuais brasileiros, entre eles Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), fez parte da criação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980.

Antonio Candido e a literatura

“Certo dia, recebi um livro chamado Perto do Coração Selvagem, assinado por Clarice Lispector. Pensei que fosse um pseudônimo, porque isso não é nome de gente, Lispector. Eu não sabia quem era e precisava dizer se o livro era bom ou era ruim. Ou seja, minha responsabilidade como crítico era muito grande, pois lidava com autores como Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade, que ainda não tinham conquistado notoriedade. Tive a sorte de viver um tempo de esplendor da literatura brasileira. Mas avaliações erradas poderiam custar o emprego.”

Principais prêmios

  • Em 1998, recebeu o Prêmio Camões, concedido pelos governos do Brasil e de Portugal, em Lisboa. Em 2005, ganhou o Prêmio Internacional Alfonso Reyes, no México.
  • Cândido ganhou também quatro vezes o Prêmio Jabuti, o mais importante no Brasil. Venceu por “Formação da literatura brasileira” (1960), “Os parceiros do Rio Bonito” (1965), “Brigada ligeira e outros escritos” (1993); além da estatueta de personalidade do ano, em 1966.
  • Antonio Candido também foi professor-emérito da USP e da UNESP e doutor honoris causa da Unicamp, de Campinas (SP), além de professor honorário do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

“O Brasil todo perde com o seu desaparecimento. Homens como ele são insubstituíveis”, diz a professora de História da USP Maria Aparecida Aquino.

Grandes nomes da política e da literatura brasileira lamentaram a morte de Antonio Candido nas redes sociais.  Nós da Agência Fiuza também lamentamos muito.

Sobre Maressa Urbano

Publicitária, acadêmica de Letras e coordenadora de mídia e conteúdo.

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